Grupo de pesquisa Diversidade Sexual, Cidadania e Religião

Seja bem-vind@ ao nosso blog.

Aqui você terá poderá conhecer melhor o nosso grupo, as pesquisas, as atividades que fazemos, e ter acesso aos trabalhos e artigos do grupo.

Se você pesquisa sobre diversidade sexual, e tem dúvidas, ou interesse em alguma de nossas atividades,

Se pertence ao grupo LGBT e precisa de alguma orientação,

Se o seu filh@ é do grupo LGBT e você está necessitando de esclarecimentos, apoio, orientação,

Então, pode nos enviar uma mensagem, e um@ pessoa da nossa
equipe entrará em contato.

Um grande abraço,

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Quem somos Nossa história Atividades Trabalhos Notícias e fotos Contato Filmes
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Quem somos:
Um grupo de pesquisa acadêmico que se dedica ao estudo da Diversidade Sexual ligada às questões de
violência, direitos humanos, ciências, e religião.

Nosso grupo é formado por professores, alunos de graduação e pós-graduação de diferentes
departamentos da Universidade, profissionais das áreas de teologia, serviço social, psicologia, pedagogia, etc, que procuram conhecer e se aprofundar nesse tema.

O grupo se reúne, quinzenalmente na PUC-Rio para a leitura de textos, pesquisas, debates, e realização de trabalhos, relacionando a diversidade sexual com a teologia, psicologia, antropologia, ciências sociais, etc.
Grupo de pesquisa:

Líder do grupo:
Luis Correia Lima – Padre jesuíta, graduado em Filosofia e Teologia, Doutor em História, Professor do Departamento de Teologia da PUC-Rio e membro do seu programa de pós-graduação.

Equipe:

Ana Maria Bontempo – Assistente social, Vice-presidente da BENFAM.
Maria Adelaide Ferreira Gomes – Assistente Social, Professora do Dept. de Serv. Social da PUC-Rio.
Ângela Cristina Caldeira – Teóloga e Mestranda em Teologia da PUC-Rio.
Luiz Alberto Faria Ribeiro – Psicólogo, Mestre em Psicologia e Graduando em Teologia da PUC-Rio.
Luíza Carla Cassemiro – Assistente social e mestranda em Serviço Social pela PUC-Rio.
Maria Cristina Silva Furtado – Psicóloga, Professora, Escritora, Teóloga, Mestranda em Teologia pela PUC-Rio.

Sandra Regina Marcelino – Pedagoga, Mestranda em Serviço Social pela PUC-Rio.

Nossa história:
O grupo de pesquisa teve início no segundo semestre de 2006, com o objetivo de estudar o tema da Diversidade Sexual de forma interdisciplinar. O grupo está registrado no CNPQ e por dois anos esteve ligado ao Departamento de Serviço Social da PUC-RIO. Durante os anos de 2007 e 2008 foram realizados debates, palestras e apresentações de filmes na própria PUC.

Em 2009, o grupo passou a estar ligado à Vice-Reitoria Acadêmica da PUC-Rio. Neste ano foi lançado um fascículo temático da revista ‘O social em questão’ (nº20), do Departamento de Serviço Social da PUC-Rio, sobre Diversidade sexual e Cidadania, com os textos sendo estudados e debatidos pelo Grupo de Pesquisa. No lançamento da revista, na Universidade, houve um encontro com os autores do fascículo e os membros do Grupo de Pesquisa, visando um conhecimento mútuo e uma troca de idéias.

O professor Luís Correa Lima realizou cinco sessões de vídeo-fórum do filme ‘Assim me diz a Bíblia’, de Daniel Karslake. Três foram na PUC-Rio, uma em Petrópolis (na Faculdade de Medicina), e outra em Belo Horizonte (na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia).

Proferiu palestra sobre Diversidade Sexual em Curso de Extensão do Departamento de Sociologia da PUC-Rio. Participou da mesa redonda sobre Homossexualidade na escola, promovida pela Faculdade de Educação da UFRJ. Publicou dois artigos em jornal: um sobre homossexualidade (na Argentina) e outro sobre homofobia.

Maria Cristina Furtado apresentou e publicou dois trabalhos sobre diversidade sexual. O primeiro, no Seminário Entrelaçando Sexualidades da Universidade Estadual da Bahia (UNEB), Salvador, e o outro, no III0 Congresso Latino-americano de Gênero e Religião da Escola Superior de Teologia (EST), São Leopoldo, Rio Grande do Sul. Fez parte da mesa de debatedores no evento da apresentação do filme For the Bible tells me so, na PUC-Rio,

Maria Adelaide Ferreira Gomes, Ana Maria Bontempo, e Maria Cristina Furtado participaram da mesa debatedora do filme “For the Bible tells me so” apresentado no Posto de Assistência Médica Antônio Ribeiro Neto (centro-Rio) – Clínica 8 A – Secretaria Municipal de Saúde.

Sandra Regina Marcelino apresentou trabalho no Congresso em Feira de Santana, Bahia, e organizou oficina para formação de professores no Rio de Janeiro.

Luíza Carla Cassemiro começou a escrever sua dissertação de Mestrado, sobre Travestis, Transexuais e as Políticas Públicas. Apresentou trabalho em seminário da UFRJ sobre esta população e a implementação do Sistema Único de Assistência Social (SUAS); e sobre o acesso dos homossexuais masculinos às políticas públicas, em São Luis, Maranhão.

Luiz Alberto Ribeiro concluiu e defendeu a dissertação de Mestrado sobre Travestis, Inclusão social e Religião, e tem feito palestras sobre os LGBT, além de proporcionar atendimento psicológico de apoio a este público.

O Grupo de Pesquisa recebeu a visita de Jarriet Tomás Barrios, senador estadual de Massachusetts (EUA) e presidente do GLAAD (Gay and Lesbian Alliance Against Defamation).

Agora em 2010 em fevereiro, Maria Cristina Furtado e Ângela Cristina Caldeira publicaram o artigo ‘O olhar inclusivo da hermenêutica bíblica’. Publicado nos Anais do II Simpósio de Mestrado Profissional da Escola Superior de Teologia (EST), São Leopoldo, RS e estarão apresentando outro artigo “

Maria Cristina Furtado e Sandra Regina Marcelino começaram a escrever suas dissertações de mestrado, Os temas das duas alunas abrangem a diversidade sexual.

O Pe Dr. Luis Correia Lima, junto com Maria Cristina Furtado e Ana Maria Bontempo estão ministrando o ‘Curso Educação Cristã e Diversidade Sexual’, de abril a junho, no Centro Loyola de Fé e Cultura da PUC-Rio, em Botafogo.

Atividades:
– Pesquisas, publicações de trabalhos, artigos, dissertações de mestrado, teses de doutorado.
– Participação em palestras e debates.
– Atendimento on line da população LGBT, e a suas famílias.
– Cursos de extensão, e cursos livres sobre a temática.

Artigos e trabalhos do grupo: ordenados por data
LIMA, Correa Luis:
Bento 16 e os Homossexuais. (Artigo publicado em O Globo (30/4/2005, p.7), depois
ampliado e publicado na R.e.b. (Revista eclesiástica brasileira) nº 260, 2005, p. 920 –
922).

Homossexualidade e Igreja Católica – conflito e direitos em longa duração. (Em Debate
n. 04, Rev. do Depto. de Serviço Social PUC-Rio, 2006).

Os gays e o acesso ao sacerdócio. (Versão revista e ampliada de artigo publicado no
Jornal do Brasil, 24/4/2006, p. 14).

O ranço moralista. (01/10/2006).

Políticas Públicas e Conflito Moral: a Igreja Católica e a camisinha. Versão revista e
aumentada de palestra feita no Seminário Religião e Aids, promovido pela ABIA
(Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids), em 19/10/2006, no Rio de Janeiro.

Bento XVI e o mundo gay. (Adital, 17/4/2007).

Carta aos pais dos homossexuais. (Enviada ao Grupo de Pais de Homossexuais
(www.gph.org.br), em 3/8/2007).

Diversidade sexual e religião. (CLAM – 18/09/2007).

Os gays e o papa. (O Globo, 13/6/2008, p.7).

A Cidadania LGBT e a lei natural. (Revista O Social em Questão, nº 20, 2008, p.15-44).
Versão revista e atualizada do artigo “Homossexualidade, lei natural e cidadania” (Lima,
2007b).

A população GLBT e os jesuítas. (Notícias: Província do Brasil Centro-Leste, set. 2008, p.9-10
– informativo dos jesuítas).

A Igreja e as uniões homossexuais. (Adital, 17/3/2008).

Gays, Psicologia e Sacerdócio. (Adital, 4/12/2008).

ONU, Gays e Vaticano. (Adital, 22/12/2008).

A Igreja e os homossexuais. (Entrevista com Luís Corrêa Lima. IHU On-Line 5/8/2009).

A homossexualidade não é pecado. (Entrevista com Luís Corrêa Lima. Por Bruno Bimbi.
Critica de la Argentina, 11/15/2009).

O papa e a ‘ameaça’ gay. (Adital, 20/1/2009).

O papa na África e a camisinha. (Adital, 7/4/2009).

A homossexualidade não é pecado. (Entrevista com Luís Corrêa Lima. Por Bruno Bimbi.
Critica de la Argentina, 11/5/2009).

Homofobia, um pecado. (Jornal do Brasil, 23/9/2009).

Fobias e Pedofilia. (O Globo, 26/4/2010, p. 7).

FURTADO, Maria Cristina:
A mídia como mediadora no diálogo diversidade sexual-religião. (Comunicação oral
apresentada e publicada nos Anais do Seminário Entrelaçando Sexualidades da
Universidade Estadual da Bahia (UNEB), Salvador, BA, 2009).

O importante diálogo: direitos humanos – religião – diversidade sexual. Artigo
apresentado e publicado nos Anais do III Congresso Latino-americano de Gênero
e Religião da Escola Superior de Teologia (EST), São Leopoldo, RS, 2009.

Diversidade sexual e religião através da história. Trabalho final do curso História e
Teologia, do mestrado de teologia PUC-RIO, em 2009.

Homossexualidade não é pedofilia. Artigo feito para o blog do grupo de
Pesquisa, Abr/2010.

FURTADO, Maria Cristina & CALDEIRA, Ângela Cristina:
O olhar inclusivo da hermenêutica bíblica. Publicado nos Anais do II Simpósio de
Mestrado Profissional da Escola Superior de Teologia (EST), São Leopoldo, RS, 2010.

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A CIDADANIA LGBT E A LEI NATURAL

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A MÍDIA COMO MEDIADORA NO DIÁLOGO DIVERSIDADE SEXUAL-RELIGIÃO

Maria Cristina S. Furtado

Introdução
A mídia tem sido essencial para o progresso mundial e a globalização. Sejam as mídias impressas, televisivas, radiofônicas, eletrônicas, a importância de cada uma é inquestionável e são muitos os benefícios que têm trazido à humanidade, aproximando pessoas, países, proporcionando informações, diversão, pesquisas e muito mais; porém, também tem sido usada como veículo para incentivar o preconceito e a violência. Por estar ligada a interesses de marketing, a mídia coloca-se, muitas vezes, como simples reprodutora e incentivadora do comportamento da sociedade, motivando essas atitudes, deixando a oportunidade de assumir o papel de mediadora entre a sociedade e suas próprias questões, e provocar reflexões sobre suas ações, como no caso da homossexualidade.
Na América Latina, incluindo o Brasil, a cultura do povo não é baseada na escrita, mas principalmente no rádio, TV e cinema, por serem mais acessíveis, o que aumenta a responsabilidade da mídia.
O documentário The Celluloid Closet, lançado em 1995, escrito e dirigido por Rob Epstein e Jeffrey Friedman, é um exemplo de como Hollywood colaborou, através dos tempos, devido a censura vigente, inclusive a moral religiosa, pela imagem que hoje ainda se tem d@ homossexual, e de como os diretores, agiam, ocultamente, para levar este tema a seus filmes.
O filme reflete a importância da cultura nas atitudes em relação a orientação sexual e a identidade de gênero. Como o cinema, a televisão, os quadrinhos, a mídia em geral, têm descrito as pessoas do mundo LGBT ao longo dos tempos, e estimulado o preconceito, por colocá-l@s como doentes e vilõ@es, além de ridicularizá-lo@s. No entanto, com a mudança gradual da imagem da homossexualidade na sociedade, e o afrouxamento da censura, Hollywood começa a modificar a imagem d@ homossexual, colocando-@ como cidad@o comum.
Mídia é comunicação, essencialmente, vinculação de informações, e é a mídia enquanto veículo de comunicação que será tratada neste artigo; enquanto elemento capaz de trazer conhecimento, reflexão, conscientização e finalmente promover uma gradativa transformação cultural. Embora todo o tipo de mídia seja importante na mediação, enfocarei aqui o cinema, que hoje, tem seu acesso facilitado, através do DVD, vídeo e outras mídias eletrônicas.

Brasil e homofobia
Ao serem analisados os fatores causadores da violência no mundo e no Brasil, a “discriminação” tem sido apontada com uma das principais, e @s homossexuais pertencentes a um dos grupos profundamente atingidos.
No Brasil o movimento LGBT vem se desenvolvendo desde 1970, dando visibilidade e se organizando em defesa dos direitos deste grupo. Os governos brasileiros mostram-se cada vez mais interessados na causa, promovendo políticas públicas voltadas para a área de saúde e educação, o que pode ser constatado na elaboração do Plano Nacional de Políticas para a população LGBT. Mas, na própria área da saúde, ainda é visível à ausência de percepção da orientação sexual dos sujeitos, e esta negação tem gerado negligência, discriminação e violência. Na educação, as escolas públicas são apontadas como lugares extremamente homofóbicos, e o preconceito como responsável pela evasão escolar de muit@s homossexuais, na adolescência. Além das pesquisas mostrarem a presença forte da homofobia na sociedade brasileira.
O grupo LGBT pertencente a uma esfera social mais pobre tem sido uma das maiores vítimas da violência física. As travestis são exemplos deste grupo. A baixa educação formal e a qualidade de vida, o abandono da família, a saúde precária, a ausência de emprego e as condições inadequadas provocadas pelo isolamento e estigma que esse grupo carrega, levam muitas delas à prostituição como uma forma de sobrevivência e de desenvolvimento da sua auto-estima. Segundo Kulik, na prostituição a travesti é reconhecida e elogiada, podendo dar vazão a sua identidade , no entanto também fica exposta a qualquer tipo de violência, pois considerada como marginal, é abandonada pela polícia, tornando-se alvo fácil, inclusive de grupos de extermínio.
O descobrir-se homossexual em determinados locais, como por exemplo, na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, é diferente da experiência de ser um@ jovem homossexual de classe média urbana, embora este também não esteja livre da intolerância e violência. Porém, em lugares como a Baixada, o universo existente é marcado pela dominação masculina e as hierarquias de gênero são constantemente reiteradas, e a homossexualidade associada a uma representação deles próprios, onde a travesti tem um papel fundamental, o que a torna um elemento ameaçador.
O diretor de cinema Vagner de Almeida , dirigiu, em 2005, o documentário, Borboletas da vida, realizado em Austin, Nova Iguaçu, na Baixada fluminense, do Rio de Janeiro, trazendo depoimentos e imagens que retratam a vivência de gênero na periferia de uma grande cidade, mostrando o ser travesti como forma de expressão da subjetividade, além de evidenciar como a rejeição social a esse grupo influencia suas vidas.
Em 2006 o mesmo diretor apresentou o documentário Basta um dia sobre a vida de travestis também da Baixada Fluminense, mostrando o preconceito, a agressão física e a morte social que elas sofrem às margens da Rodovia Presidente Dutra. Neste filme Vagner registrou, principalmente, o desespero com os quais essas pessoas são obrigadas a organizar suas vidas individuais e coletivas, trazendo os depoimentos de diversas travestis. Em 2008 lançou o documentário, Sexualidade e Crimes de Ódio trazendo as histórias de amigos que foram assassinados, nos últimos anos, cujos algozes estão livres. Nesse filme foi possível ver diversas travestis que tinham participado do filme anterior e foram assassinadas. Para este diretor o filme era “o memorial de um quadro social que silenciosamente extirpa milhares de vidas de homens e mulheres homossexuais”.
A realidade trazida por estes filmes mostra a necessidade de uma maior atenção e proteção a esse grupo, como a que propõe a Pl 122, que estende a lei sobre discriminação racial, e coloca como crime atos homofóbicos. Porém, a aprovação deste projeto lei, tem esbarrado em questões religiosas, deixando a população LGBT exposta à intolerância.
Algumas pesquisas realizadas nas diversas áreas das ciências e educação apontam que os ataques a homossexuais são feitos principalmente por grupos, supostamente, religiosos ou neonazistas, impregnados por preconceitos; pessoas que não conseguem lidar com a sua própria sexualidade, e projetam no homossexual o seu ódio, buscando justificativas nos textos bíblicos e ideologias.
Mesmo quando não parece haver ligação dos grupos e pessoas com qualquer religiosidade, é importante lembrar que o imaginário do indivíduo está influenciado pela cultura que o envolve. A cultura ocidental é caracterizada pelos padrões morais do cristianismo, que traz em seus discursos oficiais religiosos a condenação da homossexualidade.
No Brasil, a discriminação não ocorre, normalmente, de forma aberta e explícita, ela ocorre veladamente nos diversos setores da sociedade, tornando-se visível nas reações contrárias à aprovação de leis e políticas públicas para a população LGBT , além de aparecer, na forma de extermínio .
Nos Estados Unidos, grupos religiosos pentecostais protestantes fazem constante pressão contra homossexuais, usando todo o tipo de mídia para demonstrar sua repulsa, fazendo sempre em seus confrontos conhecidas citações bíblicas como: Gênesis 19, 1-11; Levítico 18,22 e 20, 13; Juízes 19,22-30, e a carta de São Paulo aos Romanos 1,26-27.

Bíblia e homofobia
A mídia impressa é uma das mais antigas do mundo. O livro impresso mais antigo é a “Bíblia”, considerada, por um grupo considerável de literatos e críticos literários , como possuidora de uma linguagem riquíssima, com belas imagens, metáforas e histórias capazes de encantar a quem ler.
A bíblia foi usada, logo após ser impressa, pelo clero católico, mas depois, a partir de Martin Lutero , foi traduzida para as mais diversas línguas, possibilitando seu acesso a todos que a desejassem ler.
No entanto, a Bíblia devido às metáforas, e a mistura de mitos e realidades que possui, tem provocado controvérsias. Para aqueles que conseguem entender a sua complexidade, ela traz mensagens de salvação, de inclusão e amor, porém, para outros que realizam uma leitura literal, surgem mensagens de ódio e preconceitos que levam a ações discriminatórias.
O modo de ler a bíblia sempre foi motivo de estudo por católicos, protestantes e judeus. Das análises feitas por estes estudiosos surgiram debates, e novos estudos que procuram acompanhar a linguagem e as necessidades dos tempos para que as sociedades, em todas as épocas, possam entendê-la.
Estes estudiosos concordam que as leituras dos textos bíblicos não podem ser literais. Precisam ser dialéticas, realizando-se hermenêuticas entre os textos bíblicos e o leitor, nas quais seja imprescindível entender, mesmo para aqueles que consideram a Bíblia como sagrada e inerrante, que estes textos foram escritos dentro de certos contextos, e estão direcionados a determinados grupos de pessoas. Por isso, suas mensagens precisam ser compreendidas dentro das tradições e crenças destes grupos.
Mas, os textos bíblicos também possuem em cada história, seja ela mitológica ou verdadeira, mensagens religiosas que vão além de um conteúdo histórico, são as chamadas “reservas de sentido” que permitem ao leitor fazer a ligação dos textos bíblicos com a atualidade. No entanto, isto deverá acontecer através de uma espiral hermenêutica de leitura, na qual dar-se-á uma troca entre leitor e texto, onde este unirá a parte histórica e a mensagem religiosa ali deixada, com as suas experiências, e através uma troca de experiências poderá chegar aos nossos dias, com uma percepção bem mais próxima das mensagens reais dos textos bíblicos.
Esse tipo de interpretação não só é enriquecida com o simbolismo bíblico, como leva o leitor a perceber, dentro da fé, um Deus que foi se revelando e sendo compreendido, lentamente, pelo povo hebreu. Um Deus que se desvela no Novo Testamento, em Jesus Cristo, revelando-se totalmente e sendo entendido, pelas primeiras comunidades cristãs e depois pela tradição como o Deus “todo poderoso no amor”, misericordioso e inclusivo.
No entanto, se a interpretação dos textos bíblicos forem feitas por fundamentalistas que insistem na leitura literal, ou seja, interpretando as palavras ‘ao pé da letra’ e desvinculando trechos do contexto geral, essa leitura deixará de conter informações preciosas sobre as pessoas diretas para quem os textos foram escritos, o contexto em que viviam, a tradição religiosa a que pertenciam, e o objetivo direto do texto. A falta dessas informações provocará leituras que estarão afastadas da mensagem bíblica real, e a ligação com a atualidade será falha, pois poderão ser dadas conotações morais e sexuais aos textos bíblicos que não sejam condizentes com a época em que foram escritos.
Este tipo de leitura reduz a compreensão do Deus bíblico, pois não o liga ao contexto bíblico global, levando a percepção de um Deus “todo poderoso” que castiga, exclui e mata àqueles que não o obedecem. Essa leitura tem sido usada para justificar preconceitos, e provoca violência, levando às mais cruéis discriminações e guerras, em nome do Deus único. Já serviu para condenar Copérnico, Galileu, Isaac Newton, Charles Darwin, para justificar a escravidão , a submissão da mulher ao homem, e ainda hoje, para discriminar o homossexual.

A mídia e os documentários
Se a mídia é um veículo que fornece informações necessárias para o público tomar decisões, e estas decisões não são tomadas apenas calcadas nos fatos, mas também como estes fatos são apresentados; a mídia tem uma função essencial na mudança da visão da sociedade sobre a homossexualidade, através de revistas, livros, jornais, rádios, televisão, teatro, cinema e Internet, inclusive em relação às religiões. É essencial a necessidade de fugir dos esteriótipos homossexuais para abrir um debate reflexivo sobre o tema. Nesse sentido, os filmes anteriormente citados favorecem este objetivo.
Além desses, outros documentários podem ser usados para a conscientização da complexidade da diversidade sexual e da aceitação da mesma, dentro dos diversos setores da sociedade.

For the bible tells me so
Este documentário, desde a sua estréia no Brasil em 2008, tem sido um mediador entre as religiões e a homossexualidade. Ele conseguiu juntar os elementos necessários para isso, e tem se mostrado de grande eficiência.
O filme apresenta as histórias reais de cinco famílias cristãs religiosas que tentam superar preconceitos em relação à homossexualidade, e ao mesmo tempo interpela as interpretações homofóbicas do trecho bíblico.
Mostra a perplexidade dessas famílias ao descobrirem que um dos filhos é gay e o drama que enfrentam devido ao forte sentido de pecado e abominação que a homossexualidade tem recebido na religião cristã. Entretanto, em contra partida, acompanha a ação dessas famílias para com seus filhos, mostrando, a força do amor incondicional e as reações dessas famílias frente às comunidades religiosas e a sociedade, não aceitando que a homossexualidade seja motivo de abandono de suas identidades e perda de suas histórias religiosas.
Entre as histórias, é importante destacar duas: a do primeiro bispo anglicano assumidamente homossexual, símbolo da conciliação cabível entre as identidades gay e cristã; o bispo Gene Robinson. E a da única família onde a mãe não aceita a homossexualidade da filha, e esta acaba se suicidando. Mesmo com este trágico fim, sentindo sua responsabilidade e a dos ensinamentos religiosos que aprendeu sobre a homossexualidade, essa mãe começa a estudar a Bíblia por conta própria e junto com o marido, passam a participar de eventos do movimento.
Como pano de fundo, perpassando todo o documentário aparecem diversos religiosos utilizando, de forma bastante dinâmica, a televisão, o rádio, as pregações nos púlpitos, assim como grupos para o confronto pessoal em lugares públicos a fim de combaterem a homossexualidade. Por outro lado, mostra a militância das famílias protagonistas, levando sua presença e discursos em eventos, enfrentando autoridades eclesiais locais, como no caso da família de Jake Reitam que é presa ao tentar entregar uma carta ao pastor que, diariamente, ataca @s homossexuais e suas famílias em seu programa de rádio e televisão.
O último e importantíssimo aspecto é a apresentação de diversos religiosos trazendo uma interpretação literal bíblica contraposta às declarações de biblistas católicos, protestantes, judeus, que falam sobre outras interpretações existentes dessas passagens bíblicas.
Os depoimentos destes especialistas vão desconstruindo, gradativamente, a interpretação fundamentalista e contextualizando a situação cultural, trazendo a mentalidade de uma época retratada nos textos bíblicos.

E o que diz a Bíblia? Levítico
Não cabe nesta comunicação uma interpretação exegética dos textos bíblicos em questão. No entanto, trarei apenas, de forma rápida, uma reflexão sobre o texto de Levítico, usado normalmente como ‘bala de canhão bíblica’ contra a homossexualidade, pois nela está contida a palavra “abominação”.
Em Lev. 20,25-26 pode-se perceber o sentido desta palavra:
25 “Fareis distinção entre o animal puro e o impuro, entre a ave pura e a impura. Não vos torneis vós mesmos imundos com animais, aves e com tudo o que rasteja sobre a terra, pois eu vos fiz pô-los à parte, como impuros. 26 Sereis consagrados a mim, pois, eu, Iahweh, sou santo e vos separei de todos os povos para serdes meus. 27 O homem ou a mulher que, entre vós forem necromantes ou adivinhos serão mortos, serão apedrejados, e o seu sangue cairá sobre eles”.

Em algumas traduções ao invés de “imundos”, encontra-se “abomináveis” mostrando que o significado é o mesmo. A diferença do termo dependerá da tradução bíblica e o sentido será “a violação das regras de pureza que governavam a sociedade israelita e faziam com que o povo judeu continuasse a ser diferente dos demais povos”.
Da mesma forma que certos animais como a lagosta, o camelo, o porco e o camarão eram considerados impuros, havia algumas práticas que por envolverem diferentes tipos de coisas, como dois tipos de sementes, ou dois tipos de fibra, ou um homem fazendo sexo com outro homem como se fosse mulher, também eram considerados imundos ou abomináveis. A menstruação nas mulheres, a emissão do esperma pelo homem, ou o participar de um enterro ou dar à luz, também tornavam a pessoa impura durante um certo período de tempo.
O sentido exato do termo impuro é difícil avaliar. O que fazia estas coisas serem abomináveis? Alguns teólogos sugerem que estariam ligadas a princípios sanitários e representavam riscos à saúde. Mas, que sentido isto teria para considerar impuro misturar algodão e linho, algodão e poliéster?
Os atos homogenitais no Levítico são tratados em uma seção chamada “O Código Sagrado”, na qual estão leis e punições para que Israel permaneça “sagrada” aos olhos de Deus. Todas as normas ali contidas dizem respeito ao contexto cultural daquela época, e, tinham a finalidade de restringir certos atos de acordo com as exigências da religião que formavam. Não há nas passagens do Código Sagrado, nenhuma conotação de moralidade, da mesma forma como é vista na atualidade.
A tão temida palavra “abominável” usada na Bíblia é sempre uma referência à realização ‘errônea do ritual de purificação’ e não para expressar algo imoral. Comer carne de coelho ou de porco era abominável para o judeu, mas não era imoral. Era abominável por ser a violação de uma norma ritual do “código de Santidade”, feito com o objetivo de mostrar as pessoas o que deveriam fazer para encontrarem a santidade.

Conclusão
Na história humana a dificuldade de reconhecer a alteridade, tem provocado um enfrentamento no qual o sujeito percebe o outro como ameaça e, por conseguinte, um inimigo que precisa ser dominado. Segundo André Musskopf, a opressão e a discriminação às formas consideradas “alternativas” de sexualidade revelam que as formas de existir não estão sendo respeitadas pela sociedade.
Segundo a Antropologia filosófica até o início da era cristã o sentido de pessoa era embrionário. Os filósofos levavam em consideração o pensamento impessoal cuja ordem imóvel regulava à natureza com as idéias. Foi o cristianismo que trouxe uma noção decisiva de pessoa, escandalizando o pensamento e a sensibilidade grega. O cristianismo criou uma nova dimensão do homem: a da pessoa humana. Noção estranha ao racionalismo clássico, que não encontrava na filosofia grega as categorias e as palavras para exprimir essa realidade, pois este modelo baseou-se na figura real de ‘Jesus’, que por ser considerado na revelação cristã, filho de Deus, cada ser humano, individualmente, adquiriu um valor absoluto, pois também foi considerado filho de Deus. Nesta nova dimensão o ser humano era integrado em corpo e espírito, incluindo sua sexualidade.
O ser humano como pessoa, foi estudado por teólogos e filósofos, alguns dos quais fizeram da pessoa o centro de suas reflexões: Agostinho, Boécio, Tomás de Aquino, e depois Hume, Kant, Hegel, e mais recentemente, entre outros, Renouvier, Mounier e Lévinas, e hoje, segundo Mondin, a pessoa é considerada um indivíduo dotado de autonomia quanto ao ser, de autoconsciência, de comunicação e de autotranscendência.
Para Lévinas é através do outro que o ser humano se realiza. O outro é alguém diferente dele próprio, que na sua condição de alteridade, se apresenta solicitando entrar em relação, pôr-se-frente-a-frente. Mas o distanciamento entre o outro e o próprio precisa ser mantido, para que a relação aconteça em radical respeito pela alteridade do outro. O desenvolvimento do conceito de pessoa rompe com a idéia do outro como inimigo, levando a uma ética da alteridade em que o outro, enquanto diferente, me faz perceber como indivíduo.
A antropologia teológica afirma que O Deus bíblico cristão, não é excludente como o que tem sido mostrado nas interpretações fundamentalistas dos textos bíblicos. O Deus bíblico cristão é Amor, trinitário, relacional, inclusivo, e respeita a alteridade do ser humano.
É preciso que não se mate este Deus, como Nietzsche reconheceu em O homem louco, no qual afirmou que o capitalismo laissez-faire do século XIX, governado pelo darwinismo social, ou pela sobrevivência dos mais aptos e a competição selvagem entre cada indivíduo, havia matado a própria idéia de Deus. É necessário não matar a imagem do Deus Amor e libertador, substituindo esta imagem por um Deus desamor e opressor.
Apesar da postura oficial da igreja católica ser contrária ao reconhecimento de uma série de direitos d@s cidad@os LGBT, segundo o seu catecismo, ess@s cidad@os devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á para com el@s todo sinal de discriminação injusta. Em seus documentos, o Magistério da Igreja reconhece que a pessoa humana é maior que a sua orientação sexual. Todos são criados por Deus e destinados à salvação. No mês de Junho, passado, conforme notícia publicada no jornal O Globo , um bispo da igreja católica afirmou, que apesar de ver com reservas, a igreja não se opõe ao reconhecimento da união civil entre homossexuais para garantia dos direitos civis, desde que este reconhecimento não seja equiparado ao casamento. Além disso, já existe, em algumas comunidades católicas a inclusão de homossexuais com seus/suas companheir@s e na Internet, sites católicos com artigos de especialistas, respondendo a e-mails sobre homossexualidade e igreja.
Em outros segmentos cristãos, também surgem estudos, pesquisas, livros sobre o assunto e algumas igrejas inclusivas gays têm sido criadas. A Igreja Anglicana possui no seu clero um bispo declaradamente homossexual e de modo geral, com exceção de uma ala conservadora, esta igreja não mostra resistência às uniões homossexuais.
O debate sobre a homossexualidade cresce dentro da teologia em congressos da área, e as revistas especializadas, contêm números inteiros sobre o assunto. Na PUC-Rio, o grupo de pesquisa “Diversidade sexual, Religião e Cidadania” tem sido responsável, desde 2006, por diversos eventos realizados na instituição, onde através a exposição de filmes sobre esta temática tem-se realizado debates com a presença de especialistas de diversas universidades. No momento, o grupo prepara o projeto de um curso de reflexão para professores, pais e líderes religiosos sobre educação cristã e diversidade sexual. No início de junho a PUC-Rio, apresentou na TV, o programa Contraponto, que também abordou este tema.
No entanto, ainda pesa na cultura ocidental o ranço do passado quando “os sodomitas” foram considerados ameaças à religião católica, sendo duramente perseguidos e mortos pela inquisição. O discurso no qual os sodomitas foram colocados como inimigos de Deus, acabou sendo usado por outras denominações cristãs e absorvido pela sociedade, que os marginalizou e excluiu. Hoje, sabe-se do poder simbólico que a religião exerce no imaginário das pessoas, e o quanto à sociedade ocidental está impregnada dos valores cristãos, mas também de alguns preconceitos que o discurso religioso ajudou a consolidar. E apesar das inúmeras conquistas que, desde 1970 o grupo LGBT tem conquistado, ainda se enfrenta dificuldades para aprovações de leis beneficiárias ao grupo, alguns segmentos religiosos continuam a considerar a homossexualidade uma doença, e a violência persiste.
Diversos projetos podem ser implementados visando uma mudança na sociedade, e a mídia será essencial para mostrar, entre outras coisas: a existência de gays e famílias de LGBT que desejam conservar sua memória e identidade religiosa, a mudança gradativa das religiões em relação à homossexualidade, a diversidade de pensamentos dentro das religiões, e a interpretação de textos bíblicos que tratem de relações interpessoais mais autênticas, valorizando a vida e a união, de modo que seja passada à sociedade uma visão cristã que incentive a cidadania plena, onde seja possível viver a diversidade sexual e ser cristão.

Referências Bibliográficas
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BLOG leitura FAVRE: http://blogdofavre.ig.com.br/tag/travestis/. Acessado em 21/06/09.

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HELMINIAK, Daniel A. O que a Bíblia realmente diz sobre a homossexualidade. São Paulo: Edições GLS, SP, 1998.

HIMES, J. Michael. Praticar a verdade no amor. São Paulo: Ed. Loyola, SP, 2007.

KULICK, Don: Travesti: prostituição, sexo, gênero e cultura no Brasil. Rio de Janeiro: Ed. Fiocruz, RJ, 2008.

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MONDIN, Battista. O homem, quem é ele? Elementos de Antropologia Filosófica, São Paulo: Paulus, SP, 2009.

OLIVEIRA, Leandro. Imagens da homossexualidade masculina em camadas populares. Disponível em site: http://www.abiaids.org.br/_img/media/Extra%20G%2011.pdf
Acessado em 06/07/2009.

SOUZA, José. T. B. Emmanuel Lévinas: O homem e a obra. Revista Symposium, Ano 3, número Especial, junho-99 .

TAVARES, Cássia Q. Cultura, mídia e comportamento sexual. Atualidade Teológica. Fasc. 27, dep. de Teologia, Rio de Janeiro: PUC-Rio, 2007.

THE CELLULOID CLOSE. Disponível em site: http://pt.wikipedia.org /wiki/The_Celluloid_ Closet. Acessado em 05/07/2009.

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FAMÍLIA, ESCOLA E IGREJA FRENTE À DIVERSIDADE SEXUAL

Prof. Maria Cristina Furtado

A palavra ‘homossexualidade’, na contemporaneidade, continua gerando preconceitos, e ‘assusta’ professores, religiosos e profissionais da área da saúde e das ciências sociais, além de ‘apavorar’ pai, mãe e @ s própri@s homossexuais, que pouco ou nada conhecem sobre o tema, já que este não se encontrava, e ainda não se encontra, de modo geral, no programa curricular das faculdades dos cursos de pedagogia, psicologia, teologia, sociologia, etc. Além disso, este tema continua proibido para debate, na grande maioria dos colégios, tanto nos cursos fundamentais I e II, e no Ensino Médio, como também nos ‘grupos jovens’, nas pastorais das igrejas, e nas famílias, restando, no entanto, sem nenhuma proibição, as piadas desrespeitosas aos homossexuais.
Apesar da mídia em algumas reportagens ou nas novelas, na atualidade, procurar mostrar uma nova geração mais tolerante, que não se importa com a orientação sexual de seu colega ou de sua colega, tentando passar a imagem d@ homossexual como uma pessoa qualquer, sendo aceito pelas famílias e amigos, as pesquisas apontam em outra direção, mostrando que ainda há forte rejeição da homossexualidade nas próprias famílias, nas igrejas, e nas escolas, onde @s jovens sofrem o bullying , muitos chegando a abandonar a escola, e as comunidades religiosas que freqüentavam.
Preocupados com as conseqüências causadas pela discriminação e violência social, psicológica e física que a população LGBT sofre, e procurando amenizar a lacuna curricular dos cursos de formação, o Ministério de Educação junto com outras secretarias ministeriais e diversas universidades federais brasileiras vêm promovendo pesquisas multidisciplinares sobre o tema, e realizando congressos, seminários e cursos à distância e presenciais para professor@s de escolas municipais e estaduais, a fim de atualizá-l@s sobre esta temática. No entanto, este trabalho deixa de fora os cursos de formação das faculdades particulares, e @s professor@s das escolas particulares, inclusive os professores de ensino religioso. Na procura de atingir a este considerável grupo, núcleos de estudos estão surgindo em algumas universidades particulares: o Núcleo de estudos de Gênero da EST de São Leopoldo, RS que abrange a diversidade sexual em suas pesquisas e congressos, tendo inclusive já tese de doutorado defendida sobre este tema, e o grupo de pesquisa Diversidade Sexual, Religião e Cidadania da PUC do Rio de Janeiro, RJ , oriundo da união de professores e alunos para promover pesquisas e eventos acadêmicos sobre este tema, mas devido a grande quantidade de solicitações que tem recebido, vem expandindo seus trabalhos a fim de: disponibilizar suas pesquisas online; realizar palestras em escolas, clínicas e em centros religiosos; orientar famílias e homossexuais que procuram o grupo; e proferir cursos sobre Diversidade Sexual.

A homofobia no Brasil

Desde o código penal de 1823, a descriminalização da homossexualidade já existe
no Brasil, e o governo federal, na última década, vem se mostrando interessado em promover a cidadania LGBT , no entanto, o preconceito e a discriminação continuam fortes no Brasil.
Normalmente, com exceções de grande parte das igrejas pentecostais que usam a mídia para atacar explicitamente a homossexualidade, a homofobia costuma ser mais sutil, funcionando de forma subjetiva, surgindo na violência social através das tentativas de se impedir a promulgação dos projetos de lei que beneficiem esta população, deixando-a sem a igualdade nos direitos civis; ou no dia a dia, pela violência psicológica que começa dentro da família, e estende-se para as escolas, comunidades religiosas e trabalho; ou ainda na violência física, na calada da noite, onde as estatísticas mostram que em cada dois dias um homossexual é assassinado no Brasil ;
No que diz respeito à violência física, o grupo LGBT pertencente à esfera social mais carente tem sido a principal vítima, e nesse cenário, as travestis, são as mais visadas. Com uma baixa educação formal, o isolamento e o estigma que carregam, as travestis não têm muita escolha em relação a trabalho , voltando-se para a prostituição como uma forma de sobrevivência. Para Kulik , a prostituição para as travestis não significa apenas a possibilidade financeira, mas também uma forma de compensar a baixa autoestima que possuem, pois o reconhecimento masculino faz com que se sintam desejadas, e possam dar vazão as suas identidades . No entanto, por serem consideradas marginais são abandonadas pela sociedade e ficam expostas a qualquer tipo de violência, tornando-se alvos fáceis de ataques físicos, inclusive de grupos de extermínio .
O diretor de cinema Vagner de Almeida dirigiu de 2004 a 2008 três documentários na Baixada fluminense, trazendo depoimentos e imagens que retratam a vivência de gênero na periferia do Rio de Janeiro. O primeiro documentário, – “Borboletas da vida” (2005) – trouxe um pouco da vida cotidiana de jovens homossexuais, mostrando a dificuldade de emprego, os atos violentos que sofrem por desconhecidos e dentro das próprias famílias. Por outro lado mostrou o caráter subjetivo do trabalho que realizam como prostitutas, as amizades, as experiências amorosas, e a luta pelo direito de serem diferentes e respeitadas. Em -“Basta um dia” (2006) -, a ênfase dada foi no preconceito, na agressão física e na morte social que elas sofrem às margens da rodovia Presidente Dutra. Registra, principalmente, o medo com os quais as travestis são obrigadas a organizar suas vidas individuais e coletivas. Já em -“Sexualidade e Crimes de Ódio” (2008) -, temos as histórias de amigos homossexuais do diretor que foram assassinados nos últimos anos, cujos algozes continuam livres. Através deste filme foi possível descobrir que diversas travestis que tinham participado do filme anterior, haviam sido brutalmente assassinadas por um grupo de extermínio da Baixada Fluminense. Segundo o diretor, este filme era: “O memorial de um quadro social que silenciosamente extirpa milhares de vidas de homens e mulheres homossexuais”.

Homofobia
Para se pensar nas causas da homofobia é necessário primeiro entender do que se trata. A palavra ‘homofobia’ significa repulsa ou preconceito contra a homossexualidade ou os/as homossexuais. A palavra foi utilizada pela primeira vez em 1971 pelo psicólogo norte-americano George Weinberg. Esta palavra combina o sufixo grego “fobia” (medo, receio persistente) com o prefixo “homo” (igual), que é uma apócope de “homossexualidade”.
Este termo tem sido amplamente usado pelos movimentos LGBT que identificam o ódio, a aversão ou a discriminação tanto aos homossexuais como às outras manifestações da sexualidade que foge a hegemonia. No entanto, o termo fobia remete a patologização, a problemas psicológicos que poderiam comprometer o entendimento social e coletivo do problema, apenas individualizando as práticas da homofobia e amenizando a responsabilidade desses atos. Para escapar do termo ‘fobia alguns pesquisadores preferem usar a expressão ‘heterossexismo’ que não tem a mesma força da palavra homofobia nos movimentos sociais. Outros preferem usar o termo heterossexismo para uma forma de homofobia mais específica, e é assim, que usaremos neste trabalho.
Vamos nos referir, então, a homofobia como todas as formas de desqualificação e violências dirigidas aos que não correspondem ao ideal normativo de sexualidade.

Homofobia e cultura
Apesar de, na sociedade ocidental, ter começado em 1975 o reconhecimento pelas ciências médicas de que a homossexualidade não é ‘doença, perversão, ou qualquer outro tipo de desvio’, mas somente ‘uma variação da sexualidade’, e as ciências afirmarem que o conceito de homossexualidade é cultural, a aceitação da diversidade sexual tem esbarrado na visão negativa construída por séculos, devido a diversos fatores, entre eles: às interpretações literais bíblicas e os discursos religiosos, os interesses sóciopolítico-econômicos e culturais da sociedade, a ‘criminalização’ da prática da sodomia , e a ‘patologização’ do homossexual. Junte-se a isso as formas como @s homossexuais foram vist@s por muito tempo no cinema – o vilão/vilã e o depravado/depravada -, e o quanto foram e ainda são ridicularizad@s nos programas humorísticos do rádio e televisão.
De modo geral o preconceito está internalizado, em maior ou menor grau. A homofobia é oriunda da introjeção desses valores e conceitos negativos recebidos desde criança pela família, religião, mídia, escola, etc, conceitos que estão gravados no inconsciente da sociedade homo e heterossexual. Nesse sentido, todas as pessoas trazem um ‘pré-conceito’ em relação à homossexualidade e ele é tão forte, está tão introjetado que mesmo @ homossexual que se assume e diz se aceitar, passa por um longo processo de aceitação de si mesmo, um processo parecido com o que acontece com os pais, amigos, e pelo qual está passando a sociedade contemporânea que se depara com @ homossexual se mostrando, e exigindo ser aceit@ como cidadão/ cidadã complet@. Aceitar @ outr@, diferente de si próprio, aquel@ que foge aos padrões impostos pela maioria dominante é um processo contrário ao que culturalmente foi criado sobre a homossexualidade e repetido por séculos, portanto difícil.
Para combater a homofobia o conhecimento sobre a homossexualidade é importantíssimo, mas não basta, pois fatores psicológicos, sociais, e sexuais, interferem diretamente nele, facilitando ou dificultando a aceitação.

Homofobia e fatores de interferência
Como vimos, a sociedade é homofóbica, e encontra-se em processo de aceitação da homossexualidade, mas existem fatores que prejudicam o processo.
Um dos fatores está ligado a problemas com a própria sexualidade. É o caso das pessoas que por terem, consciente ou inconsciente, dúvidas e angústias sobre sua identidade sexual, refletem no homossexual a dificuldade que possuem, e muitos usam como mecanismo de defesa ridicularizar e agredir os homossexuais podendo chegar, nos casos mais graves, ao assassinato de homossexuais.
Welzer-Lang (1994), afirma: “Na vida cotidiana, o medo ou os medos organizam o ódio. Medo e ódio provocam evitamento, fuga, desejo de se esconder; impedem a confrontação das causas que os provocam”.
Crochík (1995), apresenta a tese de que o preconceito diz mais sobre o preconceituoso do que sobre o objeto do preconceito. O preconceito é um tipo de valor (negativizado) atribuído a objetos distintos.

Quando determinados atributos (ou valores) são
coletivamente atribuídos a certos objetos – que nomeamos como os sujeitos de preconceito – predispõem à rejeição. A tendência é de que uma estereotipia de pensamento, fixada no que parece, mas não que, necessariamente seja real, impede o preconceituoso de olhar para a realidade a sua volta. Sua rigidez mental o coloca em posição defensiva.

Leandro de Oliveira traz a tese de que a homofobia é muito acentuada nos lugares em que a dominação masculina é fortemente marcada, podendo chegar a atitudes extremadas. Para ele, isso ocorre porque nesses locais as hierarquias de gênero são constantemente reiteradas, e a homossexualidade é associada a uma representação da não masculinidade; ‘a figura da mulher frágil, inferior e sedutora’. Nesta representação a travesti ocupa um papel fundamental, e passa a ser vista como elemento ameaçador ao universo masculino .
A ameaça extremada da travesti pode se dar pelo entrelaçamento de dois fatores: a homofobia introjetada culturalmente, e a rejeição do lado feminino do homem, pelo medo deste aflorar e ele não mais conseguir ostentar sua masculinidade tão cobrada pela sociedade. Esta é uma possível explicação psicológica para o grande número de assassinatos de travestis por grupos de extermínio nas periferias das grandes cidades, onde o machismo é acentuado. Entretanto, alguns setores das ciências sociais têm considerado a homofobia introjetada, onde o homossexual é percebido como inferior, motivo suficiente para causar a violência e morte das travestis, da mesma forma que na história da humanidade nós podemos ver os negros, os judeus, os índios, as mulheres, etc.
De modo geral a homofobia masculina e o sexismo estão juntos. Para Welzer-Lang (1994) a homofobia é a interiorização do sexismo nas relações com os outros.
O sexismo é a discriminação em relação às pessoas de outro sexo, onde o preconceituoso se considera superior, o que legitima a dominação, a violência contra ao mais fraco, no caso, as mulheres e todos aqueles que, em determinadas circunstâncias, são reconhecidos como tendo uma posição feminilizada. O sexismo é mantido por um pensamento essencialista, no qual atribui qualidades e defeitos inerentes e específicos de cada sexo.
A sociedade ocidental possui raízes profundamente religiosas e culturais de cunho heterossexual, nas quais a principal função da família é a de procriar, e os discursos valorizam, desde a mais tenra idade da criança, a força, a inteligência e a virilidade masculina, incentivando ao homem perceber a mulher, como inferior, frágil, passível de dominação. As diversas pesquisas nas ciências sociais apontam que nas sociedades onde homens, individualmente ou em grupo dominam as mulheres, o sexismo é o elemento organizador da dominação das mulheres e a homofobia sela a coesão entre os dominantes. Sexismo e homofobia surgem do medo (inconsciente) de abandonar as atribuições de seu grupo sexual.
A homofobia pode levar à violência de gênero como já vimos anteriormente. Neste tipo de violência a questão do poder está presente, e a marca é a desigualdade entre os envolvidos. Um poder que está ligado ao pertencimento de gênero, e onde mulheres, homens não-viris, homens e mulheres que seguem suas orientações homossexuais são os objetos privilegiados da violência homofóbica/sexista. Esta homofobia/sexista pode ser encontrada em indivíduos isolados, mas está ligada, principalmente, a grupos que valorizam o sexo masculino em detrimento do feminino: times de futebol masculino, escolas militares, etc.
Normalmente, a violência de gênero surge quando há possibilidade de negociação, e a resposta é a recusa à alteridade. Não se trata de uma violência pontual, inesperada, nem casual, ela é contínua, dirigida contra os mesmos alvos, com objetivos bem delimitados, insistentemente, minando a resistência da vítima de forma sorrateira, mas implacável e destruindo psicologicamente, aos poucos o adversário.
A discriminação a orientação sexual diferente da própria pessoa, nos leva ao heterossexismo , que é a negação à orientação sexual do outro. Negação que causa, na grande maioria das pessoas, repulsa as reações afetivas e sexuais entre pessoas do mesmo sexo, e está calcada na heteronormatividade . O heterossexismo é um preconceito que leva a suprimir os direitos de cidadania, e vê a orientação sexual voltada para o mesmo sexo como inferior, e ligada a problemas sociais. A institucionalização do heterossexismo ainda recebe reforço nas legislações, nas religiões, na língua e nas escolas, embora, na atualidade, esteja sendo considerada uma violação aos direitos humanos semelhante ao racismo e ao sexismo.

Homofobia e Família
A homofobia começa na família.
Não são poucos @s jovens que quando revelam aos pais a descoberta de sua orientação sexual sofrem fortes agressões físicas e são expuls@s de suas casas. Quando isso não ocorre, muitos pais exigem que @ filh@ vá procurar um psicólogo ou psicanalista para “curar” a sua homossexualidade.
De acordo com Edith Modesto , a revelação da homossexualidade aos pais passa por um difícil e longo processo de aceitação que se dará por toda a vida. Ela própria reconhece que estudar sobre a homossexualidade, escrever livros, e fundar o grupo de pais foram necessidades que teve dentro do processo de aceitação de seu filho. Alguns pais relatam que a aceitação foi imediata, no entanto, este grupo é minoria.
O momento da revelação de um filh@ é muito marcante na vida de uma família. De um lado encontra-se @ homossexual que ao se revelar, está necessitando desabafar, partilhar com quem ama algo que lhe é muito pesado, angustiante, e inúmeras vezes, aterrorizador, junto com uma grande dúvida que vem lhe acompanhando, tirando o sono, levando-@ a lágrimas sempre que pensa revelar sua homossexualidade: “Será que continuarei a ser amad@?”.
Do outro lado estão pai e mãe que, normalmente, levam um grande choque. Mesmo quando os indícios apontam para essa realidade, os pais inconscientemente preferem ignorar. De modo geral, pai e mãe costumam dizer terem se sentido ‘perdidos’, ‘sem rumo’, ‘desnorteados’, sem saber o que pensar ou como agir.
A partir desse momento, para @ filh@ pode ser o fim de um longo período
de ansiedade, angústia, medo, e até mesmo ‘pavor’ de não ser mais amad@, de não se aceitar, de sentir-se pervers@, abominável, e o início de uma vida familiar onde se sentirá amad@, mais segur@, fortalecid@, onde terá apoio para enfrentar os problemas que estão surgindo por assumir a orientação sexual, e poderá viver sua homossexualidade integralmente. Mas, por outro lado, pode ser o agravamento de sua angústia, de seus sentimentos de culpa, de seus medos, de sua própria rejeição, pela rejeição da família que lhe mandará embora, ou transformará a sua vida em cobranças, proibições, e achincalhamentos.
Para os pais é a revelação de uma realidade que eles, normalmente, não querem aceitar, mas não pode ser mudada.
Algumas pesquisas dizem que as mães costumam ter ‘menos dificuldade’ em aceitar a homossexualidade de seus filhos do que os pais, e estes têm ‘menos dificuldade’ em aceitar a homossexualidade de suas filhas. No entanto, para ambos é uma constatação que lhes enche de angústia, medo, e a perda de inúmeros sonhos que traziam em relação aos filhos.
Segundo Edith Modesto, pai e mãe passam por diversas fases de aceitação da homossexualidade d@ filh@, nas quais sentimentos diversificados se misturam ou se intercalam. Algumas fases poderão ser puladas, ou não serem vividas na mesma ordem, nem com a mesma intensidade, mas muitos dos sentimentos expostos abaixo são vividos por um grande número de pais (pai e mãe).
A primeira fase é de tristeza, frustração, desespero, medo, culpa, confusão, raiva, vergonha, solidão, desamparo, onde a somatização dos sentimentos aumenta o sofrimento, gerando gastrites, úlceras, problemas intestinais, pressão alta, diabetes, etc… Culpa-se a si próprio por não ter percebido antes, culpa-se a Deus por ter permitido, culpa-se o destino, culpa-se a outras pessoas, culpa-se os filhos.
A segunda fase é a de perda, estranhamento, rejeição, nojo, problemas com a própria sexualidade, e fuga. Nesta fase é comum perder-se a referência em relação ao filh@, como se est@ não fosse mais aquel@ que foi gerad@. O estranhamento seria a morte simbólica d@ filh@ gerad@ e o nascimento simbólico de um@ outr@ filh@. É nesta fase que ocorre a rejeição, não querendo ver @ filh@, como se @ rejeitando, o que tanto temem não mais estivesse acontecendo. Atualmente, é menor o número de pais que chegam a expulsar @s filh@s de casa, mas a rejeição costuma acontecer, inconscientemente, mesmo que seja por poucas horas. Na verdade, não está se rejeitando @ filh@, mas a parte del@ que não se quer aceitar.
O nojo que algumas mães e pais revelam, normalmente, está ligado à função sexual, e isto pode ser tão forte para eles, que venha atrapalhar as suas vidas sexuais. A fuga do problema pode levar a uma forte angústia e depressão, onde a bebida, o excesso de sono, e a vontade de morrer são possibilidades cabíveis.
A terceira fase é a da negação do fato. Negação para si mesmo, e para os outros, fazendo de conta que não existe nada, procurando ignorar o assunto. Nesta fase se questiona a revelação, não querendo que os filhos se revelem a outras pessoas. Procura-se minimizar a importância do fato dizendo que é modismo ou apenas uma fase. Também é comum culpar outras pessoas, como os amigos dos filhos, e até o pai culpar a mãe e vice-versa. Nesta fase é comum a busca de uma compensação. Os filhos precisam ajudar a sustentar a casa e se comportar socialmente como heterossexuais ou terão que viver a sua vida sexual longe de casa. Nesta fase há ainda os pais que aceitam, mas não querem participar, negando-se a conhecer @ namorad@ d@ filh@, nem querendo conviver com o companheiro ou a companheira.
A quarta fase é a das atitudes de defesa, onde ocorrem trocas simbólicas, barganhas, com os pais fazendo promessas a santos, consultando tarô, pai de santo, para que os filhos deixem de ser homossexuais. Ou, ao contrário, procuram acreditar que @ filh@ possui um forte poder espiritual. Nesta fase é comum aos pais recorrerem a médicos, psicólogos e psicanalistas, desejando ‘reverter’ à homossexualidade em heterossexualidade. Diversos pais preferem acreditar que @ filh@ é bissexual, negando a constatação da homossexualidade. Existem pais que procuram mudar o meio em que os filhos vivem, mandando os filhos para o exterior ou para estudar em outra cidade. Esta é uma forma de ficar longe do problema, e esconder da sociedade. Outro medo comum é a possibilidade do filho ficar muito efeminado e a filha, masculinizada. É nessa fase que muitos pais procuram conhecer sobre o tema, e aprofundar-se nele. Mas há também os que usam o medo da homofobia social como desculpa para não aceitar.
A quinta fase é a da conformação. Os pais começam a descobrir motivos para Deus ter permitido ou feito @ filh@ homossexual. Surge o medo de perder @ filh@, o arrependimento pelo que fizeram ou disseram a el@s, mas não desejam que seja falado publicamente. Ainda tratam @ filh@ de modo diferente dos outros, preocupam-se com o modo de pensar dos parentes, e surge à preocupação com as relações promíscuas, e as doenças sexualmente transmissíveis. Surge também a dificuldade de aceitar um relacionamento como compromisso, a preocupação do relacionamento terminar e ter que enfrentar outr@ namorad@, o medo ou vergonha que os amigos saibam, a tristeza de ver os filhos dos amigos namorando e casando. É uma inconformação que vai e volta.
Por último, vem a sexta fase que é a da aceitação. Embora, segundo Edith, muitos pais não consigam aceitar ‘totalmente’ a homossexualidade do filh@. Nesta fase é o fim do questionamento a Deus ou ao destino, é o momento onde cresce o orgulho d@ filh@ sem restrições, e onde é possível voltar a se ter um relacionamento aberto com @ filh@. Surge a intolerância a piadas e palavrões sobre homossexuais, e os pais podem sentir-se mais livres para não esconderem da família e dos amigos a homossexualidade d@ filh@, além de terem amizades com os amigos e amigas homossexuais d@s filh@os. Começam a participar da vida do casal, sentem-se tristes quando o relacionamento d@ filh@ termina, e a família se permite ser feliz novamente, e a sentir-se feliz com a felicidade d@ filh@, havendo a partir daí uma maior unidade familiar.
Devido a grande dificuldade que se tem constatado, tanto para @ homossexual como para sua família, a ‘terapia’ de apoio tem sido recomendada e tem tido resultados muito positivos para as famílias que percebem não conseguir transpor essas fases sozinhas. O grupo de pais, citado acima, é um exemplo de como tem sido importante para a família encontrar outros pais com as mesmas dificuldades e poderem ali se colocar, e partilharem as dificuldades, avanços, medos, tristezas e alegrias. Para @s homossexuais, as terapias em grupo com jovens homossexuais também são importantíssimas. É essencial poder partilhar com outros iguais, essa descoberta, a sua própria aceitação, seus sentimentos, e lutas. Como também participar de lugares em que possa abertamente viver sua homossexualidade.
Outra importante modalidade psicoterápica é a terapia familiar. Esta tem se mostrado eficaz na ajuda do entendimento entre pai, mãe e @ homossexual. É um espaço onde cada membro se sente protegido e livre para falar dos seus sentimentos, e ali ser trabalhado o significado do segredo que envolve os preconceitos da homossexualidade. A tarefa do terapeuta é a de auxiliar a família a reorganizar seus pensamentos, sentimentos e comportamentos a fim de poderem ter uma convivência harmoniosa e de respeito mútuo.

A homofobia nas escolas
Uma pesquisa realizada pela UNESCO (2006) envolvendo estudantes brasileiros do ensino fundamental, pais e professores, revelou que: “os professores não apenas tendem a se silenciar frente a homofobia, mas tendem a colaborar ativamente na reprodução de tal violência”. Essa pesquisa realizada em quatorze capitais brasileiras trouxe ainda outros dados: mais de um terço dos pais, não gostaria que seus filhos tivessem colegas homossexuais. Um percentual que sobe para 46,4% em Recife. E entre os alunos entrevistados, um quarto, também não gostaria de ter colegas homossexuais.
Na pesquisa ‘Perfil dos Professores Brasileiros’, UNESCO (2006), feita em todas as unidades da federação brasileira revelou que de acordo com 59,7% d@s professor@s é inadmissível uma pessoa ter relações homossexuais e 21,2% dos professores ainda declararam que não gostariam de ter vizinhos homossexuais. Outra pesquisa também realizada pela UNESCO (2006) em 13 capitais brasileiras e no Distrito Federal constatou que cerca de 48% d@s professor@s não sabem como abordar os temas relativos à homossexualidade em sala de aula, e 20% dos professores acreditam que a homossexualidade seja doença.
Estas pesquisas preocuparam o setor educacional, pois mostra que a escola está falhando em um dos principais setores para os quais foi formada:

“[…] Se o lar está falhando neste campo, cabe à escola preencher lacunas de informações, erradicar preconceitos e possibilitar as discussões das emoções e valores” (TELES, 1992).

Mas, como fazer isto, se os próprios professores dizem não ter condições de tratar deste tema?
Pesquisas ainda revelam que as dúvidas d@s jovens vão além da informação. Elas passam por experiências de vida pessoal e íntima, e os professores se sentem constrangidos em se posicionarem. Nesse caso, a quem el@s vão recorrer? Muitos jovens relatam que no momento em que suas orientações homossexuais começaram a ser descobertas na escola, el@s passaram a ouvir piadas, deboches, sofrendo constrangimentos de todas as formas, e não tendo ninguém para defendê-l@s. De alun@s e amig@s fiéis, el@s passaram, quase que exclusivamente, a serem apenas ‘os homossexuais’, o que os leva, com freqüência, a terem dificuldade de aprendizagem e baixa no rendimento escolar. Muitos jovens relatam que não conseguem suportar a pressão e abandonam a escola (principalmente as travestis).

Ess@s jovens passam, na maioria das vezes, a sofrerem o ‘bullying’.

Bullying, termo sem equivalência em português, é um
conjunto de atitudes agressivas, intencionais e repetitivas que ocorrem sem motivação evidente, de forma velada ou explicita, adotada por um ou mais indivíduos contra outro(os), causando dor, angustia e sofrimento. Está presente na família, na escola, no trabalho, na comunidade. Mas é na escola e no trabalho que o fenômeno bullying se revela, se acentua e marca de forma indelével a alma do indivíduo, aterrorizando-o e levando-o a reações desesperadas, podendo chegar até o suicídio. (Cleo Fante-2005)

Um estudo realizado pelo Parlamento Europeu envolvendo 44 países apontou que “os problemas causados pela discriminação aos jovens é uma problemática universal e que as suas conseqüências são devastadoras”. O texto aprovado com unanimidade enfatiza que os índices de suicídios entre jovens pertencentes à população LGBT são maiores do que de jovens heterossexuais, não por fazerem parte de uma minoria sexual, mas devido a serem afetados diretamente pela discriminação, provocando um fator de instabilidade psicológica com repercussões sociais.
De acordo com a organização Lambda Education em 1000 jovens na Alemanha, 4 a 5 suicídios são de homossexuais. 18% de todos adolescentes homossexuais já tentaram suicídio ao menos uma vez.
Estas mesmas estatísticas são encontradas tanto no Japão quanto nos EUA, onde uma pesquisa da Universidade de Calgary estima que em cada 10 meninos que cometem suicídio, cerca de 7 e 8 são homossexuais.
Em relação ao Brasil, o Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde da Fundação Oswaldo Cruz relata que em cada 100 mil jovens de 15 a 24 anos, 4 se matam a cada ano. Isso ocorre, de acordo com o IBGE, em um total de 1.320 jovens para um montante de 33 milhões. De acordo com esses dados, com um índice de suicídios de 5 heterossexuais para 4 homossexuais, como em outros países, o Brasil pode chegar a ter 1056 jovens suicidas homossexuais. A população de jovens gays no Brasil é estimada em 3,3 milhões (10% do total), o que dá uma taxa de morte de 32/100 mil, e indica que a média brasileira de suicídios entre jovens homossexuais é 8 vezes maior que a média de brasileiros de jovens heterossexuais e 4 vezes mais alta do que a média mundial de suicídios de homossexuais. De acordo com esses dados, no Brasil 10 jovens homossexuais tiram a própria vida a cada três dias.
Em todo o mundo, as vítimas de suicídios devido a homofobia possuem um aspecto em comum; a grande maioria pertence ao sexo masculino. A proporção é de 6 suicídios de jovens gays para 1 jovem lésbica. A pesquisa sobre homofobia nas escolas, publicada pela UNESCO aponta para uma explicação em relação a esse número tão maior de suicídios entre jovens gays: o preconceito contra a homossexualidade masculina é muito maior e mais violenta.
Para Aquino (2007), os fatores sociais são em geral vistos como os que criam os ambientes psicológicos e biológicos. Os fatores sociais são em geral vistos como os que criam os ambientes nos quais os fatores psicológicos predispõem a pessoa ao suicídio.
Deco Ribeiro (2004), coordenador do Grupo E-jovem afirma que um dos grandes problemas do jovem ao ser alvo do bullying homofóbico, é que eles não têm a quem recorrer.

Muitos professores são os primeiros a fazer piadinhas de
homossexuais. E os pais são os atores mais conservadores de todo esse cenário: ainda custa muito para um pai e uma mãe aceitarem um filho gay, uma filha lésbica. Travesti então, nem se fala! Custa muito mesmo. Custa a vida de muitos filhos, irmãos, sobrinhos, netos. Garotos de 12, 14, 16 anos, que tiram a própria vida por não suportarem mais viver diante da cobrança de mudar uma característica tão própria deles, e ao mesmo tempo tão natural. Ninguém é gay porque quer, mas pedir pra eu deixar de ser é como pedir pro meu olho deixar de ser castanho e virar azul. Simplesmente não dá. (Ejovem)

A discriminação ao homossexual pelos meninos é valorizada por eles próprios como um padrão de afirmação de masculinidade. “A homofobia pode expressar-se
numa espécie de terror de não ser mais considerado como um homem de verdade diante dos outros meninos”, afirmam os pesquisadores.
A escola é o local onde se deve educar para se construir a igualdade, a tolerância e a inclusão. No entanto, outra pesquisa realizada na rede pública de ensino do Distrito Federal revelou que as violências na escola, especialmente as verbais são comuns, existindo na escola todo o tipo de preconceito: negros, pobres, homossexuais, etc.
Vários estudos que têm mostrado os altos índices de homofobia dentro das escolas em diferentes níveis de escolaridades apontam para a grande parcela de culpa da escola pelo processo formativo que adota.
A maior parte das ações das escolas reforçam a homofobia, visto que a vida escolar costuma ser elaborada dentro da perspectiva de gênero; o que acaba reforçando as características dominantes e sexistas. Os currículos atuais continuam elaborados dentro da mesma perspectiva, e embora já estejam abrangendo o racismo e a mulher, ainda não abriu espaço para a diversidade sexual.
Os estudiosos em educação afirmam que o fato da escola não estar preparada para lidar com a homossexualidade mostra que a sociedade ainda encontra muita dificuldade em sair do modelo masculino e feminino para reconhecer a diversidade sexual, e o seu papel em relação às diferenças sexuais.
A discriminação no âmbito escolar, mesmo quando não leva ao suicídio, ou @ jovem não abandona a escola, deixa marcas profundas que @ jovem carregará para o resto de sua vida. Estas podem ser: insegurança, medo, repressão de seus sentimentos, angústia, etc. Sentimentos que podem ser vencidos ao longo da vida, por el@ própri@, conseguindo até assumir a sua homossexualidade e vencendo as dificuldades, ou através de uma ajuda terapêutica. Mas, pode também, se a violência física e psicológica do bullying for muito forte, despertá-l@ para a violência, através de um desejo de dominação daquele que julga inferior; o homossexual. Situação que, em casos mais graves, poderá levar ao desejo de dominação através de atitudes violentas, ao julgar o homossexual como ser inferior, digno de sofrimento e até de morte.
De acordo com William Weld.

A sociedade não pode permitir que jovens LBGT tirem sua
própria vida induzidos pelo preconceito, hostilidade e maus tratos. Podemos sim, dar o primeiro passo no sentido de terminar com o suicídio dos jovens gays criando uma atmosfera de dignidade e respeito por estas pessoas jovens nas nossas escolas.

Os trabalhos que vem sendo feitos visando acabar com o bullying mostram que cabe ao educador, promover uma ética fundamentada no ‘respeito ao outro e a cidadania’, condições básicas para uma convivência social harmoniosa. Os professores precisam estar preparados para intervir em situações que exprimam qualquer forma de preconceito, seja em relação ao homossexual, a raça, ao credo, às pessoas com dificuldades de aprendizagem, com dificuldades especiais, etc, e propiciem ações educativas que reforcem a dignidade humana, o respeito ao diferente de si mesmo, e aos direitos dos cidadãos.
Ao se pensar em como transformar a escola em um ambiente onde se construa uma verdadeira cidadania, em primeiro lugar o professor precisa expandir seus conhecimentos, buscando conhecer o que não foi dado em seu curso de formação, ou atualizar o que lhe foi dado. Em segundo lugar, ter em mente que, como profissional precisa ter a ‘ética de educador’.
Segundo Maria Helena Vilela , o professor precisa compreender que ele não vai mudar a orientação sexual de um jovem, mas pode despertar na turma o respeito pela diversidade sexual.
Diversos trabalhos acadêmicos, e projetos educacionais têm sido feitos sobre como prevenir e combater o bullying homofóbico nas escolas. Alguns trabalhos visam à discriminação ao homossexual , e outros envolvem gênero, sexualidade, orientação sexual e relações étnico-raciais , etc.
Os trabalhos, de modo geral, mostram a importância deste tema fazer parte da formação do professor, e de cursos específicos de extensão ou especialização, de modo a este ter condições de vencer o seu próprio preconceito, esclarecer e responder às perguntas dos alunos, e trabalhar voltado para uma ética de inclusão em suas aulas, promovendo situações em que valorize o respeito ao outro ‘diferente de si próprio’, o respeito à sexualidade, às idéias, e decisões de cada um, mesmo que essas sejam totalmente diferentes daquela que a maioria pense. Que aprendam a usar uma metodologia didática como jogos, teatro, literatura, software educativo e outras formas que venham a motivar os alunos a interagir e debater. Dar apoio e suporte ao jovem LGBT e intervir, sem agressividade, mas com firmeza, impedindo que haja o bullying, com @ que discrimina, mostrando a importância del@ também respeitar @ colega.
No entanto, para qualquer projeto ser realmente ‘transformador’, deverá envolver todos na escola: coordenadores, direção, funcionários, professores, alunos e pais de alunos, a fim de todos participarem para se ter um ambiente democrático, de respeito e no qual possa se desenvolver à afetividade, respeito, tolerância e cidadania.

A homofobia nas igrejas
A homossexualidade é um assunto extremamente delicado para a religião cristã, tanto para a igreja católica como para as demais igrejas cristãs tradicionais, e de total ‘exclusão’ para as igrejas pentecostais, pois como a base da rejeição à homossexualidade encontra-se em passagens bíblicas e na lei natural, existem controvérsias nas interpretações dadas em suas hierarquias, entre os teólogos, e entre o clero, e os leigos.
Algumas igrejas acreditam que a homossexualidade deva ser recriminada, pois é uma conduta antinatural e pecaminosa. Normalmente, esse grupo refere-se à Gn 1:28 “… sejam fecundos e multipliquem-se”. Para essas igrejas esta passagem é a manifestação total da vontade de Deus em relação às relações sexuais, e a homossexualidade, independente do que digam as ciências, continua a ser uma perversão. Acreditam que os homossexuais devam ser acolhidos, desde que reconheçam precisar de ajuda para modificar os seus comportamentos.
Já o teólogo luterano Helmut Thielicke (1975) considera:

[…] a homossexualidade como o resultado de mudanças patológicas ocasionadas pela queda, e deduz que as pessoas de orientação homossexual são em grande parte incapazes de mudar sua orientação”.

Para este teólogo o homossexual deve se ajustar a um estilo de vida heterossexual, mas se for impossível ‘converter-se’ à heterossexualidade e para quem a abstinência é demasiadamente difícil, ele aconselha: “canalize sua atividade sexual em uma relação de casal estável eticamente responsável”.
Segundo o teólogo anglicano Norman Pittenger, a homossexualidade é tão digna de honra como a heterossexualidade. A Bíblia nunca foi pensada como lei para todos os tempos e mesmo na Bíblia existem evidências que sugerem que a homossexualidade era às vezes tolerada sem crítica. O que é pecaminoso não é a homossexualidade como tal, mas sim a exploração de outra pessoa, o que pode ocorrer também em relações heterossexuais.

O teólogo católico John McNeil (1988) diz:

Me inclino a pensar como Norman Pittenger cuando dice que, entre adultos de común acuerdo, existen solamente tres clases de relaciones sexuales: ‘buena, mejor y excelente (la mejor relación sexual).

O catecismo da Igreja católica (1997) afirma que a homossexualidade se reveste de formas muito variáveis ao longo dos séculos e das culturas (§2357), e apoiando-se na Sagrada Escritura que os apresenta como depravações graves (cf. Gn 19, 1-29 ; Rm 1, 24-27 ; 1Co 6, 10 ; 1 Tm 1, 10), e na Tradição que declara serem inclinações e atos “intrinsecamente desordenados” (CDF, décl. “Persona humana ” 8) e contrários à lei natural, pois fecham o ato sexual ao dom da vida, estes atos não procedem de uma complementaridade afetiva e sexual verdadeira, e em caso algum podem ser aprovados. No entanto, este catecismo reconhece que um número não negligenciável de homens e de mulheres apresenta esta tendência profundamente enraizada, e estes devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza (§2358), evitando-se com eles todo sinal de discriminação injusta. O catecismo chama ainda as pessoas homossexuais à castidade e a procurar se aproximar da perfeição cristã (§2359).
Outra corrente que cresce consideravelmente, surgindo de diferentes denominações cristãs, é a de teólog@s e exegetas que basead@s na perspectiva pósmoderna da leitura bíblica afirmam ser possível perceber através da hermenêutica bíblica que não há uma interpretação única. De acordo com Gadamer, o mundo do texto ao interagir com o leitor provoca um outro sentido “diante do texto”. Este ‘outro sentido’ é fruto deste processo interativo e contextual entre texto e leitor que cria a possibilidade de interrogação às leituras e de espaço para as vozes dos prejudicados por interpretações tradicionais ou deixados de fora do processo hermenêutico anterior; vozes marginalizadas ou reprimidas, como a dos homossexuais. Croatto chama a atenção que a própria Bíblia é fruto de um processo hermenêutico de uma realidade sócio-histórica que a constituiu, e assim, o seu sentido não pode ficar preso ao momento de sua produção , é preciso atualizá-lo, mas para isso é necessário olhar à totalidade bíblica no prisma cristológico bíblico. É necessário, então, ter-se em mente que a Bíblia é o recolhimento do sentido das ações salvíficas de um Deus que foi se revelando e sendo compreendido lentamente pelo povo hebreu, desvela-se no Novo Testamento em Jesus Cristo, revelando-se totalmente, e sendo entendido pelas primeiras comunidades cristãs e depois pela tradição como o Deus “Todo Poderoso no Amor”, misericordioso e inclusivo.
Como é possível verificar, há uma grande diversidade em se perceber
a homossexualidade dentro das igrejas tradicionais cristãs , e a mídia, com freqüência, traz declarações de membros das igrejas, ora atacando, ora defendo os homossexuais. Nos ambientes religiosos isto não é diferente, e as pessoas divergem entre o preconceito, a discriminação, a homofobia, e o respeito, a inclusão e o amor incondicional de Deus.
Quando um@ jovem pertencente a uma igreja tradicional cristã ou pentecostal começa a perceber que seus interesses e atração sexual são diferentes da maioria dos seus amigos, os discursos religiosos excludentes, as passagens bíblicas tantas vezes ouvidas, ou as palavras expressadas em entrevistas ou nas reportagens sobre o homossexual pela hierarquia da sua igreja, passam a perturbar e ajudam, em um momento crucial em sua vida, a destruir a autoimagem de quem já está se sentindo perdido, sem saber direito quem é, e aonde essa descoberta vai levar.
O mais comum nesses casos é que @ jovem se afaste da igreja, e do grupo jovem a que pertence. É comum @s jovens relatarem que ao começarem a descobrir que são homossexuais, passam a ter um sentimento de estranheza no ambiente religioso. El@ própri@ tem o preconceito internalizado, e conhecendo o posicionamento da sua igreja, sente-se mal por estar ali, indign@ de estar em um local onde seus sentimentos e ações são considerados como desvio ou perversão. Se ali permanecem, o medo de serem descobertos como homossexuais é muito forte, principalmente, se possui alguma liderança dentro da igreja. Se os colegas ou pessoas da liderança religiosa percebem a homossexualidade, de modo geral, mesmo sem uma determinação direta do padre ou pastor, e embora nessas igrejas tradicionais, isso aconteça de uma forma mais polida que nas pentecostais, começam as piadinhas, e os discursos indiretos que @ jovem sente ser para atingi-l@, ou o emudecimento total sobre o assunto, como se a homossexualidade não existisse. Dessa forma, @ jovem acaba por sentir-se só, sem o ‘apoio espiritual’ que necessita, e magoad@, ferid@, normalmente se afasta da igreja.

Quando eu tinha 26/27 anos, eu estava bastante ligado com um grupo ligado à igreja. Eu me senti desinteressado em continuar participando desse grupo. Um dos motivos é que eu sentia que, [—] eu não tinha espaço para esse tipo de discussão. Eu me sentia muito mal porque, ou eu era tratado como se eu não tivesse sexo, como se a questão sexual não existisse, ou que daqui a pouco eles iam achar uma mulher para eu casar.[…] Eu me sentia esquizofrênico dentro daquilo. Porque eu estava participando de uma coisa onde a minha sexualidade não tinha possibilidade de vir à tona. De jeito nenhum! Aos poucos eu fui me afastando e percebendo que não ‘tinha a ver’ eu participar de uma coisa onde eu não podia ser eu. (pertenceu a igreja metodista)

Entretanto muitos desses jovens cresceram dentro da igreja, são provenientes de uma família praticante, e grande parte de seus amigos e amigas pertencem ao grupo jovem, e el@s têm uma história e uma identidade religiosa as quais também são obrigad@s a abandonar.
Quando estes jovens conseguem se aceitar e assumir sua homossexualidade, o sentimento em relação à igreja muda e passa a ser de revolta, sentindo-se injustiçado e discriminado por todos.

[…] A Igreja Católica discrimina muito, e se não se abrir vai chegar uma hora em que não vai ter quem possa. Porque divorciado não pode, mulher não sei o quê não pode, gay não pode, lésbica não pode. O que eu quero é ter o respeito, o reconhecimento, que as pessoas me reconheçam como profissional, como pessoa, independente da minha situação, da minha orientação sexual. (pertence à igreja católica)

O mesmo acontece com suas famílias, elas se escondem, emudecem perante o medo da homofobia por parte d@s amig@s de anos de convivência, ou se afastam, entregando-se também ao abandono de suas identidades e a perda de suas histórias religiosas. Essas famílias ficam, então, sem o apoio da comunidade que sempre fez parte de sua vida e a de seus filh@s, e sem o apoio espiritual para enfrentar sua multiplicidade de sentimentos, seus medos e sem saber de que modo deve agir. Muitas vezes a comunidade o apoiaria, mas o medo cala, e o leva a se afastar. Poucos fazem como este pai:

Eu e minha esposa temos um trabalho pastoral dentro da igreja há muitos anos na Igreja Católica. E a gente percebe que a Igreja não discute muito esse assunto homossexualidade.[…] Só que o nosso trabalho foi sempre com noivos, com família, com pessoas que estão buscando, procurando… E esse nosso trabalho envolve acolhimento, envolve inclusão, e esse foi o motivo que fez a gente aceitar a homossexualidade do nosso filho com mais facilidade. Porque, quando a gente descobriu, nós tivemos aquele sentimento de revolta, a gente não conversava mais com o filho, a gente tinha ele dentro de casa como um estranho… Até que a gente parou pra conversar: “Nós estamos dentro da igreja num trabalho pastoral pra acolher as pessoas. Se a gente não vai acolher o nosso filho dentro de casa, e a igreja começa em casa, o que nós vamos fazer na igreja? Ou nós somos verdadeiros, ou não somos! Não podemos ser duas pessoas”. Então a gente contou pra todos que trabalham com a gente na igreja, pra família, pros amigos… Assumimos. Vamos assumir porque quem for amigo mesmo estará com a gente. Quem não for, não interessa ficar perto. A igreja também ajudou a gente por causa do trabalho que a gente faz lá. (pertence a igreja católica)

O mais comum são os pais ficarem indecisos porque não é em todo lugar, nem em todas as igrejas que eles seriam acolhidos.

[…] Quando meu filho conversou comigo, eu perguntei a ele: – Filho você orou, você pediu a Deus pra te libertar, pra tirar isso de você? E ele respondeu: – Orei sim mamãe. Orei muitas vezes de rosto no chão, mas Deus não me ouviu. – Então eu perguntei a um irmão da igreja, se meu filho quisesse freqüentar a igreja, como ficaria a situação dele? Ele disse que tudo bem, que ele poderia freqüentar a igreja, sim, mas sem a prática do sexo. Ele seria como uma pessoa que não casou, e o sexo só poderia após o casamento. É muito difícil pra uma mãe. Eu quero pedir a Deus que ele tenha uma vida normal, ao mesmo tempo, eu quero aceitar que ele vai ser assim pra sempre… Então estou dividida! (pertence a uma igreja evangélica – não declarou a denominação).

Devido à necessidade que alguns pastores sentiram de viver a fé sem exclusão, e o desejo de proporcionar esta experiência a outros fiéis, surgiram as igrejas inclusivas. Essas igrejas têm realizado um trabalho que vai além da inclusão, pois buscam romper com o paradigma da homossexualidade entendida como pecado e os homossexuais podem conciliar a vida religiosa e suas preferências sexuais, sentindo-se livres para participar ativamente dos cultos, e das atividades pastorais com seus companheiros ou companheiras, e, inclusive, tornarem-se pastor@s. Essas igrejas dão todo suporte aos homossexuais e as suas famílias, e em muitos lugares que começaram com cultos voltados apenas para @s homossexuais, agora recebem suas famílias e estão abertas a todos.
Dentro da igreja católica como nas igrejas metodistas, luteranas, etc, existem
padres, pastores e leigos que trabalham com grupos gays, dando a eles e a sua família, apoio, respeito e os recebendo sem discriminação. Existem também algumas tentativas nas igrejas cristãs, d@s homossexuais sentirem-se mais encorajad@s a freqüentarem as missas e os cultos, comparecendo com o seu companheiro ou companheira. Mas estes são trabalhos isolados que atingem a uma minoria, e normalmente são feitos em poucos bairros das grandes cidades, sob grande tensão.
O crescente número de homossexuais que saem da invisibilidade e mostram o desejo de continuar professando a sua fé, afirmando desejar seguir uma ‘ética cristã’ dentro da sua sexualidade, têm feito com que diversas igrejas cristãs tradicionais revejam sua orientação frente ao homossexual, apesar das divergências teológicas internas, como está fazendo a Igreja Anglicana.
@s própri@ homossexuais e suas famílias não querem perder sua memória e identidade religiosa, e pedem a suas igrejas que os acolham. Esta urgência é cada vez maior, e talvez essa inclusão possa acontecer. Entretanto, para acontecer um real ‘acolhimento’ aos homossexuais nas igrejas cristãs, será preciso que alguns passos importantes sejam dados.
Deixamos aqui algumas sugestões:
Em primeiro lugar, os ministros ordenados das igrejas e suas lideranças precisam conhecer a diversidade sexual em seus diversos aspectos, tanto à luz das ciências (psicologia, sociologia, biologia, antropologia, etc), como na antropologia teológica e teologia moral, para compreenderem suas diversas perspectivas, diferenças e razões, a fim de se preparem para atender, entender e incluir esses fiéis com respeito e sem qualquer discriminação injusta.
Cursos, palestras, e debates podem ser realizados junto às lideranças dessas igrejas (coordenadores de pastorais em geral, principalmente os coordenadores ligados às famílias, grupos jovens, etc) para possibilitar em suas pastorais, o desenvolvimento de um trabalho de inclusão, acolhimento, respeito e amor a estes membros.
E finalmente, trabalhos pastorais que objetivem:
– Conhecer o posicionamento das ciências sobre este tema.
– Saber a visão e a orientação da sua igreja.
– Entender o que é hermenêutica e saber a diferença entre leitura literal e
interpretação contextual da bíblia.
– Fazer leituras bíblicas voltadas para a unidade do corpo de Cristo, a inclusão e o
amor incondicional de Deus com debates e reflexões sobre os excluídos da época e
os excluídos do nosso tempo.
– Assistir a filmes sobre o tema em questão, seguido de debates e reflexões críticas
quanto à discriminação, e o respeito ao outro.
Teatro e jogos sobre inclusão também são recursos interessantes para a motivação
e integração do grupo.
Esses trabalhos pastorais podem começar enfocando a diversidade sexual e depois, ampliando para outras diferentes discriminações: social, racial, gênero, pessoas especiais, etc… Trabalhos que visem ampliar a tolerância, o respeito ao outro que é totalmente diferente de si próprio, incluindo o homossexual e todos os novos excluídos da sociedade, ajudando o cristão a viver a “boa nova”.

Conclusão
Neste estudo sobre a homofobia vimos o quanto o preconceito está introjetado na cultura, na religião, e em cada uma das pessoas, a ponto da aceitação da homossexualidade estar sujeita, não só a afirmação das ciências de que foi impossível provar qualquer patologia na homossexualidade retirando-a da lista de doenças, e afirmando tratar-se de uma ‘variação da sexualidade’, mas a interpretações bíblicas e da lei natural que têm provocado divergências, na atualidade, dentro da religião cristã e das igrejas, além da aceitação ser um processo que acontece individualmente e coletivamente, envolvendo conhecimento e sentimentos que sofrem interferências psicológicas, sociais, e sexuais.
Tivemos oportunidade de conhecer os diversos tipos de violência que provêm da discriminação de gênero, e as suas conseqüências na vida das pessoas homossexuais. Nas pesquisas analisadas constatamos que um homossexual é assassinado a cada dois dias no Brasil, com as travestis sendo as mais atingidas, e o suicídio de homossexuais que pode chegar a atingir mais de 1000 jovens por ano, sendo sua esmagadora maioria formada por jovens gays que além de não conseguirem se aceitar, são desprezados, abandonados, e excluídos pelas famílias, escolas e comunidades religiosas.
Vimos ainda à dificuldade para as famílias aceitarem a homossexualidade d@s filh@s e todo o processo pelo qual passam. Analisamos a homofobia existente nas escolas, a forte agressividade através do bullying, e como @ homossexual pode ser atingid@ por essa violência. Por fim, procuramos mostrar a complexa relação do homossexual nas igrejas cristãs, e as dificuldades que encontra para, junto com sua família, continuar a viver a fé como homossexual, e conseguir formular uma ética cristã.
Em todos esses aspectos, algumas estratégias foram sugeridas procurando ajudar a família, o colégio e as igrejas cristãs a respeitarem a orientação sexual e incluírem os homossexuais e outros grupos excluídos como seus membros.
Concluímos, constatando que a homofobia é um assunto complexo que envolve ainda outros aspectos que aqui não foram contemplados, como leis específicas que venham a coibir atos homofóbicos, a exemplo das leis existentes contra o racismo e a violência contra as mulheres. Mas, de qualquer forma, embora a promulgação de leis seja importante para a defesa da população LGBT, uma educação voltada para maiores esclarecimentos sobre o tema, direcionada para a tolerância e o respeito ao diferente de si próprio, e pastorais nas igrejas cristãs que trabalhem a unidade de seus membros, mas também o respeito à diversidade, com o objetivo de levar a comunidade a perceber o homossexual como membro do Corpo de Cristo, mostra-se indispensável, e levará:
– @ homossexual a se sentir respeitad@ como pessoa, e em sua fé. – Ajudará as famílias a passarem pelo processo de aceitação de uma forma menos traumática.
– Ensinará o cristão a ver Cristo no rosto do diferente de si próprio, e aprenderá que Cristo é amor, e Seu amor é incondicional.
O trabalho pastoral dessas igrejas poderá levar a uma educação cristã voltada para a aceitação do diferente, que unida a uma educação escolar inclusiva será o caminho para uma melhor aceitação d@ homossexual del@ mesmo e da aceitação de seus pais, favorecendo um relacionamento familiar mais harmonioso; o que poderá ajudar na diminuição da violência e do número de suicídios de jovens homossexuais.
As igrejas cristãs, a escola e a família, cada um na sua alçada, poderá contribuir para uma melhor aceitação de todas as formas de diferenças e colaborar para a diminuição da discriminação, e do bullying. Enfim, trabalhar em prol de uma sociedade mais tolerante e inclusiva.
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HOMOSSEXUALIDADE NÃO É PEDOFILIA

HOMOSSEXUALIDADE NÃO É PEDOFILIA

* Maria Cristina S. Furtado

Temos visto, com freqüência, notícias e artigos diversos estabelecerem uma relação entre pedofilia e homossexualidade. Ligação feita de tal forma que nos leva a pensar que a pedofilia é conseqüência da homossexualidade.
Mas será que a pedofilia é praticada apenas por homossexuais? NÃO, a pedofilia é tanto praticada por homossexuais como por heterossexuais.
A homossexualidade foi considerada doença, no século XIX, quando o austro-húngaro Karol Maria Benkert trouxe o conceito de diversidade psicofísica. Quem praticasse a homossexualidade teria um distúrbio mental devido a um determinado tipo de personalidade.
Desde então, pesquisas e debates foram realizados nas áreas da medicina, psiquiatria, e psicologia, até que a Organização Mundial de Saúde, em 1993, concluiu que a homossexualidade não pode ser considerada como “desordem mental”, pois é apenas uma variação possível de manifestação do desejo, retirando-a da lista de doenças sexuais.
O termo pedófilo surgiu no final do século XIX referindo-se a atração de adultos por crianças. Hoje, está relacionado com qualquer tipo de ato sexual com menores de idade, podendo variar do desejo até o assédio, a pornografia, o abuso, a exploração e a violência sexual.
A pedofilia é definida cientificamente como o desejo sexual por crianças e adolescentes, e está classificada pela Organização Mundial de Saúde como um desvio sexual, uma desordem mental e de personalidade do adulto. No entanto, a pedofilia passa a ser considerada como crime se este desejo for manifestado através do assédio, do abuso, da violência sexual, etc. Algumas pesquisas apontam que no contexto doméstico estes crimes atingem as meninas, sendo praticados em cerca de 80% dos casos por padrastos, tios, namorados da mãe, e os pais. Já os meninos e crianças maiores tendem a sofrer abusos e violências sexuais fora da família, com os crimes, normalmente, sendo feitos por pessoas próximas a eles, em escolas, clubes e ambientes religiosos.
Os estudos sobre as causas da pedofilia não são conclusivos, e isso se deve a complexidade do tema. No entanto é um grave problema que atinge a sociedade e precisa ser encarado sem subterfúgios. Pedofilia é doença, e precisa de tratamento. É crime e passível de punição.
O que não pode mais acontecer é desfocar o problema, e ignorar o que a ciência, oficialmente, já concluiu há 17 anos: homossexualidade não é doença, não é desvio comportamental. Dessa forma, a homossexualidade não pode ser apontada como causa de um comportamento doentio.
A homossexualidade e a pedofilia não estão ligadas, e fazer esta relação é estimular o preconceito, a discriminação e a violência em relação à população LGBT.

Psicóloga, Professora, Teóloga, Mestranda em teologia pela PUC-Rio. Faz parte da equipe do Grupo de pesquisa Diversidade Sexual, Religião e Cidadania da PUC.

Abril / 2010.

O relacionamento homossexual ou heterossexual acontece entre adultos que têm responsabilidades e discernimento para tal. A manifestação da pedofilia é exercida através uma forma de poder, na qual o menor é vitimado, não tem como se defender.

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